O período escolhido aplica-se ao eixo das sessões: move a curva a prazo (que passa a mostrar a última sessão dentro do período), a evolução histórica, a comparação com o realizado, o spark spread e o prémio face ao TTF.

Última sessão: --/--/---- · série desde --/--/---- · --

Futuros do Gás Natural (MIBGAS) — a

Preços a prazo do mercado ibérico de gás, em €/MWh (PCS)

A carregar a curva a prazo do MIBGAS…

Resumo — cotações na última sessão do período

O valor é o da última sessão do período; a variação é medida desde a primeira sessão do período em que essa mesma entrega foi cotada.

Curva Forward — preços por período de entrega

Retrato de uma única sessão: o que o mercado, nesse dia, pedia por gás entregue em cada período futuro. O eixo horizontal é o período de entrega, não a data da sessão. A curva a prazo de mês, trimestre, estação e ano só existe para Espanha — a liquidez a prazo do mercado ibérico está toda no hub espanhol. Portugal só tem curto prazo.

Evolução histórica — como cada entrega foi sendo reavaliada

Aqui o eixo horizontal é a data da sessão. Cada linha segue um período de entrega fixo — «Outubro 2026», «Inverno 2026/27» — e não um código de produto: o GMES_M+2 do MIBGAS quer dizer «o segundo mês a contar de agora» e muda de significado todos os meses.

Expectativa vs realizado — o mercado acertou?

Para períodos de entrega já terminados, compara a trajetória do contrato sessão a sessão com o preço que o gás veio efetivamente a ter durante a entrega.

Referencial: o índice mibgas_es, o índice do dia de gás. O ficheiro de preços à vista tem dois índices por zona e não são duas versões do mesmo número. O índice day-ahead (pvb_last) cobre um só produto, numa só sessão, e só existe desde 2023. O índice do dia de gás cobre todos os produtos com entrega nesse dia, em todas as sessões já concluídas — é a média de tudo o que se transacionou para aquele dia, fecha um a dois dias depois da entrega, e existe desde 2015. Para responder a «o que é que o mercado veio a pagar por aquela entrega», é este o número certo.

Os futuros são do PVB, a zona espanhola, e é por isso que o realizado usado é o mibgas_es e não o português.

A carregar os preços à vista…

Vale a pena queimar gás? — clean spark spread a prazo

Para o mesmo período de entrega, cruza três mercados: o gás a prazo do MIBGAS, o preço das licenças de CO₂ e a eletricidade a prazo do OMIP. A diferença entre o que a eletricidade paga e o que custa produzi-la é a margem de uma central de ciclo combinado.

A série começa a 20 de outubro de 2025, e não por opção: é aí que arranca o histórico de sessões do OMIP que este site recolhe. Antes dessa data não há preço de eletricidade a prazo para cruzar com o gás, por mais largo que seja o período escolhido. São sessões ao todo.

O custo por MWh elétrico é gás ÷ rendimento + CO₂ × 0,2016 ÷ rendimento. A eletricidade é o contrato FPB do OMIP — futuro de banda, zona Portugal.

Duas simplificações, ditas antes de as ver no gráfico. Primeira: o preço do CO₂ é spot — o fecho do leilão primário de licenças mais recente à data de cada sessão, publicado pela EEX. Um clean spark spread rigorosamente a prazo usaria futuros de licenças EUA, que não publico. Segunda: 0,2016 tCO₂/MWh térmico é o fator de combustão, o valor por omissão do regulamento de monitorização da UE — é o que o comércio de licenças cobra. Não é o mesmo que os fatores de ciclo de vida do meu ficheiro fatores_emissao.csv, que incluem construção e desmantelamento e servem para medir pegada, não para calcular custos de licenças.

A carregar o CO₂ e os futuros do OMIP…

Estamos caros ou baratos face à Europa?

O MIBGAS cota também o prémio do gás ibérico face ao TTF holandês, o referencial europeu. O gráfico mostra a mediana desse prémio por horizonte de entrega — a estrutura a prazo do desconto ibérico, não a sua oscilação diária.

Isto é uma característica estrutural do mercado, não um sinal negociável. Espanha tem a maior capacidade de regaseificação de GNL da Europa e uma interligação muito limitada com França: o excedente ibérico não consegue sair para o continente, e o preço a prazo ajusta-se para baixo de forma persistente. Não é uma ineficiência que se possa arbitrar — é o preço do isolamento da península.

Mostra-se a mediana e não a média, e por horizonte e não ao longo do tempo, porque é aí que está o sinal: no dia a dia o prémio é pequeno e ruidoso, e um gráfico da sua oscilação diária mostraria ruído com aparência de tendência.

Os produtos de estação W e S são cotados para duas estações na mesma sessão — o inverno que vem e o seguinte. Aparecem aqui separados por ordem de entrega (W (próximo) e W (seguinte)): juntá-los num só metia dois invernos no mesmo saco e punha a contagem de observações a destoar das dos outros produtos.

A carregar o prémio face ao TTF…

Dois preços por sessão, complementares no tempo. O MIBGAS publica um Last Price (sinal de fecho, que estima um valor mesmo sem liquidez) e um Reference Price (média ponderada das transações). Não são alternativas: o preço de fecho só existe a partir de 1 de janeiro de 2023, e entre 2015 e 2022 a única série publicada é a do preço de referência. Esta página usa o preço de fecho quando existe e recua ao de referência quando não existe — caso contrário 35% das linhas desapareciam e a crise de 2021-22 ficava de fora. Os gráficos de evolução marcam essa mudança metodológica com uma linha vertical.

Campo vazio significa não cotado nesse dia para esse produto — nunca preço zero.

Ao fim de semana há sessão, mas reduzida: só produtos de curto prazo, o intradiário e o day-ahead de D+1 a D+3, nas duas zonas. Nenhum produto de mês, trimestre, estação ou ano é cotado a sábado ou domingo.

São preços grossistas de energia: não incluem tarifas de acesso às redes, TOS, ISP, IVA nem margem do comercializador. Não são o preço da sua fatura.

Fontes: gás e prémio face ao TTF, MIBGAS; licenças de CO₂, EEX (leilões primários do EU ETS); eletricidade a prazo, OMIP. Dados tratados e publicados sob CC BY 4.0.

E na sua fatura, quanto é que isto pesa?

Os tarifários indexados seguem os índices à vista, não estes futuros. O simulador aplica a fórmula de cada comercializador aos seus consumos e mostra o custo final, com todas as taxas e impostos.

🔥 Simular tarifários de gás

Esta página mostra o mercado a prazo. Para os preços já realizados — o que o gás custou de facto, dia a dia, desde 2015 — veja Preço do Gás Natural (MIBGAS). Para o equivalente na eletricidade, Futuros OMIP.

❔ Perguntas Frequentes

O que são os futuros do MIBGAS?

São contratos para comprar ou vender gás natural a um preço fixado hoje, com entrega num período futuro. O MIBGAS cota oito horizontes, do mais curto ao mais longo:

  • Intradiário — entrega no próprio dia da sessão.
  • Dia (day-ahead) — entrega de D+1 a D+3 (e até D+6 em alguns dias).
  • Fim de semana — sábado e domingo, por vezes com feriado.
  • Resto do mês — do dia seguinte até ao fim do mês corrente.
  • Mês, trimestre, estação e ano — os períodos civis, mais o semestre de inverno e o de verão.

O intradiário e o dia têm ambos «1 dia» de entrega, o que os confunde facilmente: o primeiro entrega no dia em que é negociado, o segundo no dia seguinte ou depois. O horizonte mais distante cotado é o ano Y+2.

Porque não há curva a prazo para Portugal?

Porque não existe, e esta página não inventa uma. A liquidez a prazo do mercado ibérico está toda no hub espanhol (PVB): os produtos de mês, trimestre, estação, ano e resto-do-mês são cotados apenas para Espanha.

Portugal tem apenas curto prazo: o intradiário (GWDPT), o day-ahead de D+1 a D+3 (GDAPT) e o fim de semana (GWEPT). É por isso que só o separador «Curto prazo» da curva mostra duas linhas.

Qual é a diferença entre o preço de fecho e o preço de referência?

São as duas colunas de preço que o MIBGAS publica para cada produto:

  • Preço de fecho (Last Price) — um sinal do preço de fecho da sessão, que filtra os dados significativos e estima um valor quando não houve liquidez. É o que dá uma curva completa, com todos os produtos preenchidos.
  • Preço de referência (Reference Price) — a média ponderada das transações que realmente ocorreram. Mais robusto e menos manipulável, mas só existe onde houve negócio.

Não são alternativas em concorrência — são complementares no tempo. O preço de fecho só passou a ser publicado a 1 de janeiro de 2023; entre 2015 e 2022 a única série que existe é a do preço de referência, e é ela que cobre toda a crise energética. Esta página usa o preço de fecho quando existe e recua ao de referência quando não existe, e o tooltip de cada ponto diz qual está a ser usado.

Onde as duas existem, só diferem se houve transações nessa sessão: sem volume, o preço de referência coincide com o de fecho.

O que é aquela linha vertical de 1 de janeiro de 2023 nos gráficos?

Marca a mudança metodológica: é a sessão a partir da qual o MIBGAS passou a publicar o preço de fecho. À esquerda dessa linha os valores vêm do preço de referência, à direita do preço de fecho.

Serve para não confundir mercado com metodologia. O erro do mercado a prazo melhora visivelmente depois de 2023 — nos contratos mensais o erro absoluto médio cai de cerca de 5,0 para 3,6 €/MWh —, mas a data coincide também com o fim da crise energética e com a queda da volatilidade. A melhoria não é atribuível só à mudança de série, e o quadro de períodos fechados mostra as duas eras separadas para que possa ver por si.

Porque é que o produto sazonal aparece duas vezes na mesma sessão?

Porque o MIBGAS cota dois invernos ao mesmo tempo: o que vem a seguir e o seguinte. O código do produto é o mesmo (GSES_W), e o que os distingue é o período de entrega. O mesmo acontece com o verão (GSES_S).

É uma armadilha real para quem usa os dados: filtrar por código de produto devolve duas linhas por sessão. A chave correta é sessão + produto + início da entrega. Nesta página cada estação é uma série própria, identificada pelo rótulo.

Uma nota de vocabulário: o MIBGAS chama «Winter 2026» ao semestre de outubro de 2026 a março de 2027. Aqui está rotulado «Inverno 2026/27», que diz o mesmo sem dar a entender que termina em dezembro.

As séries seguem o período de entrega ou o código do produto?

O período de entrega, em tudo o que é a prazo — e essa é a razão de ser destes dados. O MIBGAS identifica os produtos por posição relativa: GMES_M+2 quer dizer «o segundo mês a contar de agora», e o que isso significa muda todos os meses. Uma série histórica de GMES_M+2 misturaria entregas de meses diferentes e não seria série nenhuma. Por isso cada linha desta página segue «Outubro 2026», que é sempre Outubro 2026.

Há duas exceções, e são do produto, não da página. No intradiário e no day-ahead a regra inverte-se:

  • O intradiário de um dia só é cotado nesse dia: há exatamente uma sessão por entrega. Uma série por entrega teria um único ponto.
  • O day-ahead tem em média 2,6 sessões por entrega, porque o mesmo dia vai sendo cotado como D+3, D+2 e D+1 e depois desaparece.

Nestes dois casos a série que existe — e a que toda a gente usa — é a do produto: «o preço para o próprio dia» e «o preço para amanhã», sessão após sessão. Aqui o código não muda de significado: é a definição do produto. O gráfico de evolução e o cartão day-ahead dizem-no no subtítulo sempre que estão nesse modo.

O resto do mês é um caso intermédio: o rótulo é fixo («Resto de Setembro 2026») mas a janela de entrega encolhe a cada sessão, porque começa sempre no dia seguinte. A série segue o rótulo, e o tooltip mostra a janela de cada ponto.

O mercado a prazo do gás acerta?

Nos contratos mensais, com uma precisão que surpreende: sobre mais de 120 entregas mensais já terminadas, o desvio médio é praticamente nulo — o mercado não é sistematicamente otimista nem pessimista — e o erro absoluto médio ronda os 4,4 €/MWh.

O erro absoluto médio é a métrica que interessa, porque não deixa que desvios de sinais opostos se anulem: um mês em que o mercado errou 10 € para cima e outro em que errou 10 € para baixo dão desvio médio zero, mas erro absoluto médio de 10.

Quanto mais longo o contrato, pior: nos trimestrais o erro absoluto médio sobe para cerca de 10 €/MWh e nos anuais ultrapassa os 25. Nos anuais a amostra é pequena — sete entregas — e duas delas são 2022 e 2023, os anos em que nenhuma previsão sobreviveu.

O que é o clean spark spread, e porque está sempre negativo?

É a margem bruta de uma central de ciclo combinado a gás: o preço a que vende a eletricidade menos o que lhe custa produzi-la, contando o combustível e as licenças de CO₂ (é o «clean» do nome — o spark spread simples ignora o carbono).

Está negativo em todas as sessões que esta página cobre, e isso não significa que as centrais estejam paradas. O contrato de eletricidade usado é o FPB, um futuro de banda: representa o preço médio de todas as horas do período. Uma central a gás não vende em banda — vende nas horas em que é necessária, que são as mais caras. O spread negativo em banda diz que o gás não é competitivo na média das horas, e que a central depende do prémio das horas de ponta para cobrir custos.

É também por isso que o resultado é coerente com o que se vê no mercado diário: as centrais de ciclo combinado entram sobretudo ao fim da tarde e à noite, quando o solar sai e o preço sobe.

Porque é que o preço do CO₂ usado é spot e não a prazo?

Porque é o que publico. O ficheiro de CO₂ traz os resultados dos leilões primários de licenças da União Europeia, que são mercado à vista: cerca de 220 leilões por ano, com o preço de fecho de cada um.

Um clean spark spread rigorosamente a prazo usaria futuros de licenças EUA, que não estão neste conjunto de dados. A simplificação é esta: ao calcular o custo de uma entrega de 2028, aplica-se-lhe o preço do leilão mais recente à data da sessão, e não a expectativa do mercado para 2028. Em períodos de subida do carbono, isso subestima o custo das entregas distantes.

Também vale a pena saber que é o mercado primário (fecho do leilão) e não o spot do secundário; diferem tipicamente algumas dezenas de cêntimos.

O fator 0,2016 é o mesmo dos dados de intensidade carbónica?

Não, e trocá-los dá um resultado errado.

  • 0,2016 tCO₂ por MWh térmico é o fator de combustão do gás natural, o valor por omissão do regulamento de monitorização da União Europeia. Conta só o carbono que sai da chaminé — que é exatamente o que o comércio de licenças cobra.
  • Os fatores do meu ficheiro fatores_emissao.csv são de ciclo de vida (IPCC AR5): incluem construção da central, fabrico dos materiais, extração e transporte do combustível e desmantelamento. Servem para medir a pegada da eletricidade.

São grandezas diferentes com unidades parecidas. Usar o de ciclo de vida para calcular o custo de licenças sobrestima a fatura de carbono de uma central; usar o de combustão para medir pegada ambiental subestima-a.

Porque é que o gás ibérico a prazo está mais barato que o TTF europeu?

É uma característica estrutural, não uma oportunidade de negócio. Espanha tem a maior capacidade de regaseificação de GNL da Europa e uma interligação com França muito limitada. O gás que sobra na península não consegue sair para o resto do continente, e o preço a prazo ajusta-se para baixo.

O padrão é notavelmente estável: além do mês corrente, o desconto ronda os 0,75 €/MWh e está presente em cerca de 99% das sessões desde 2024, com medianas quase idênticas em 2024, 2025 e 2026. No curto prazo desaparece: os produtos de dia negoceiam praticamente à paridade, com o sinal a mudar quase sessão sim, sessão não.

Não é arbitrável: para capturar o desconto seria preciso transportar o gás para fora da península, que é precisamente o que a rede não permite.

Estes preços são o que vou pagar na minha fatura de gás?

Não. São preços grossistas de energia: sem tarifas de acesso às redes, sem taxa de ocupação do subsolo (TOS), sem imposto sobre produtos petrolíferos (ISP), sem IVA e sem margem do comercializador.

Também não são a referência dos tarifários indexados — esses seguem os índices à vista, que estão na página Preço do Gás Natural (MIBGAS). Os futuros influenciam a forma como os comercializadores compram gás e definem as tarifas fixas, e servem de referência a contratos de médio e longo prazo.

Para saber o que paga de facto, use o simulador de tarifários de gás natural.

De onde vêm estes dados e com que frequência são atualizados?

Os preços do gás e o prémio face ao TTF vêm do MIBGAS, atualizados duas vezes por dia. O preço das licenças de CO₂ vem dos leilões da EEX, a plataforma comum de leilões da UE. A eletricidade a prazo vem do OMIP.

Os ficheiros estão publicados em dados.tiagofelicia.pt sob licença CC BY 4.0, e esta página lê-os diretamente e faz todos os cálculos no seu navegador — não há valores pré-calculados por trás.